Invejinha dos amigos no Facebook? Caia na real e invista na sua carreira

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  "Estes deveriam ser os melhores anos da minha vida e veja onde estou: ainda nem consegui ser efetivado!". Voc√™ se surpreenderia com o n√ļmero de e-mails que recebo por semana de profissionais que comparam suas carreiras com posts alheios no Facebook.

  Muitos jovens profissionais sentem que, por meio da rede social, suas vidas s√£o avaliadas e julgadas diariamente. Admitem, com relut√Ęncia, que, ao longo de horas, ficam postando fotos e coment√°rios, percorrendo repetidas vezes, tentando saber como os outros ver√£o sua p√°gina, quantas curtidas ganharam e quem foi que curtiu.

  Numa esp√©cie de publicidade pr√≥pria, buscam mostrar a melhor vers√£o de si. Afinal, parecer bem-sucedido na vida virtual √© bem mais f√°cil do que ser, de fato, na vida real. Pior: acham que s√£o os √ļnicos a fazerem essa confiss√£o. Mas n√£o s√£o!

Pessoas mais vigiam do que postam

  Tanto o Facebook quanto qualquer outra rede social tem o poder de ajudar as pessoas a se sentirem mais conectadas e menos s√≥s. Seu objetivo √© resgatar amizades antigas, no caso dos mais velhos, e tamb√©m √© muito √ļtil para os jovens fazerem novos amigos.

  As pesquisas mostram que, em m√©dia, os usu√°rios passam mais tempo olhando as p√°ginas dos outros do que postando conte√ļdo pr√≥prio. Seria algo como uma "vigil√Ęncia social".

Comparação com ideal de sucesso

  A sensa√ß√£o perigosa, a meu ver, est√° na equipara√ß√£o com os outros, principalmente no que diz respeito a carreira e trabalho. O risco √© sentir a necessidade de receber uma curtida por qualquer tarefa realizada na empresa --afinal de contas, as centenas de "amigos" que nunca viram na vida real t√™m atualiza√ß√Ķes di√°rias que os lembram de qu√£o gloriosa e bem-sucedida a vida deveria ser.

  "Sinto-me satisfeito com minha carreira e conquistas di√°rias at√© olhar o Facebook e ver o que as outras pessoas est√£o fazendo". A maioria dos jovens n√£o cai na armadilha de comparar suas vidas com as das celebridades, mas, mesmo assim, tratam as imagens e postagens dos colegas do Facebook como reais.

  Muitos jovens, em vez de se sentirem conectados e fortalecidos com a internet, se sentem desamparados e pressionados a ter sucesso rapidamente. E haja crise de ansiedade pela cobran√ßa surreal do ideal de sucesso que criaram.

Bem-vindo ao mundo real

  Gosto muito das redes sociais e das facilidades que o mundo virtual me proporciona, mas vou listar aqui algumas particularidades do mundo real que tenho compartilhado com muitos jovens profissionais:

- A taxa de desemprego do Brasil é alta e real
- A maior parte das pessoas tem vidas comuns --e n√£o h√° nada de errado nisso!
- A maioria dos empregos e das empresas por onde passo n√£o combina com as festas e vidas que vejo no Facebook
- Sua vida adulta começa pelos vinte e poucos anos e não vai dar para colher tantas glórias nessa idade sem ter plantado nada
- Os salários iniciais são baixos para recém-graduados e para aqueles que não têm experiência profissional
- Você irá ganhar um salário mixuruca como estagiário e existe um risco enorme de ficar desempregado logo que sair da faculdade
- Com absoluta certeza, você irá desempenhar mais tarefas chatas que legais no início da carreira
- O fato de fazer tarefas "chatas", manuais ou mec√Ęnicas n√£o estar√° o rebaixando ou impedindo de desenvolver seu potencial
- Se cobre menos e faça mais. Estabilizar-se é muito diferente de acomodar-se
- Voc√™ √© o √ļnico que vai construir e trilhar sua caminhada de carreira.

Saia do Facebook e toque sua vida!


Texto por Daniela do Lago. Texto e Imagem retirados do site Uol Economia.